terça-feira, 8 de outubro de 2013

A diferença esteve em “pormaiores”


Ganhámos onde um dos rivais empatou
Jorge Jesus, 06-10-2013


É verdade. Jorge Jesus pode encher o peito e dizer que a sua equipa ganhou na Amoreira (2-1), enquanto que o FC Porto não foi além de um empate (2-2). Faltou é dizer que as incidências dos dois jogos foram um “bocadinho” diferentes…

No Estoril x FC Porto, Otamendi, Mangala, Alex Sandro e Fernando (todos jogadores com missões defensivas) foram "cirurgicamente" amarelados, alguns em lances que nem sequer eram falta (!), ficando condicionados para o resto do desafio;
no Estoril x Benfica, a partir dos 55 minutos, os encarnados passaram a jogar contra uma equipa reduzida a 10 elementos, devido à expulsão de um jogador canarinho.

A ganhar por 1-0, o FC Porto sofreu o golo do empate através de um dos penalties mais escandalosos dos últimos anos (não havia um único jogador azul-e-branco dentro da área);
a ganhar por 1-0, o slb beneficiou de um penalty mentiroso para poder fazer o 2-0, mas Lima foi incompetente e falhou.

A ganhar por 2-1, o FC Porto viu o Estoril empatar perto do final do desafio, com um golo marcado por um jogador em posição de fora-de-jogo;
a ganhar por 2-1, o slb viu um Estoril reduzido a 10 jogadores a conquistar cantos atrás de cantos (em cantos o Estoril ganhou por 10-0!), mas exausto e incapaz de chegar à igualdade.

Nos jogos contra o Estoril, toda a gente viu que quer o FC Porto, quer o slb, jogaram bastante abaixo daquilo que é a sua obrigação. A diferença nos resultados que os dois principais candidatos ao título alcançaram na Amoreira esteve em “pormaiores” que, evidentemente, a comunicação social do regime nunca irá destacar e fará por esquecer rapidamente.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Eis que o mundo está para acabar

É só para lembrar que o MAXI PEREIRA FOI EXPULSO!
FOI EXPULSO!
Repito: O MAXI PEREIRA FOI EXPULSO!
EXPULSO!
EXPULSO!
EXPULSO!

domingo, 6 de outubro de 2013

Mais um jogo de treta num fim-de-semana de Sol


Se era esta a resposta que a equipa do FC Porto pretendia dar após a primeira derrota oficial da época ocorrida na Liga do Campeões, então podemos finalmente dissipar todas as dúvidas sobre a pálida valia deste grupo de jogadores orientados por Paulo Fonseca. Mais uma vez a nossa equipa pôs os seus motores a carburar até fazer o primeiro golo para depois, uma vez mais, ir adormecendo à sombra da vantagem tangencial. O triunfo é inquestionável tal como inquestionável é o desencanto que a equipa azul e branca vai espalhando de cada vez que sobe a um relvado para disputar mais uma partida de (pouco) futebol.

Não sei se valha o esforço reportar uma súmula das incidências da contenda em Arouca. Na verdade, nem haverá muitos momentos dignos de registo nestas linhas que redigo, a não ser a regularidade com que Jackson Martinez vai picando o ponto. Talvez Herrera seja merecedor dos mais surpreendentes e entusiasmados vivas desta noite. O mexicano parece mostrar melhores aptidões para fazer transportar o jogo e circular a bola no sector intermediário portista. Muito longe de fazer esquecer Moutinho, mas indiscutivelmente mais hábil do que o inconsequente Defour. A variedade de soluções que esta tarde foi tentado prestar, pelo menos, são uteis para uma equipa que urge encontrar referências na sua construção de jogo.

De resto, é mesmo essa qualidade de jogo que ainda teima em manter-se ocultada por largos períodos de tempo no futebol dos homens de Paulo Fonseca. Infelizmente não creio que haja apenas uma razão para esse facto. Vislumbro várias! E todas elas, de maneira geral, vêem sendo enumeradas quer aqui, no Reflexão Portista, quer pelos adeptos do nosso clube, em geral. O treinador parece pouco sagaz de operar novas ideias capazes de introduzir o factor-surpresa ao adversário. De igual modo, PF parece pouco seguro de abordar os jogadores para moldar comportamentos erráticos outrora repetidos. A autoridade não parece para já estar posta em causa. Mas sua liderança – que deveria ser natural – não terá ainda chegado aos atletas e duvido que alguma vez chegue.

Enfim, reconhecendo o teor especulativo que anterior afirmação encerra, não acho seja o único a pressentir estes sinais que a paralinguagem de jogadores Vs. treinador nos vai emanando. Falta também muito talento nesta equipa. E isso é tão eloquente nas extremidades. Varela, Licá e Josué são bravos e voluntariosos jogadores. Mas nenhum deles tem consigo o talento que decide encontros e que faça polvilhar a nossa imaginação de que a magia pode surtir do inesperado.

O único elemento próximo disso no actual plantel do FC Porto é Quintero. Um miúdo com futuro brilhante à sua frente, mas que ainda tem muitas aulas da escola do futebol Europeu pela frente. Por hora vai quebrando aqui e acolá o estilo de jogo uniforme e fastidioso que a equipa portista produz. Tudo isto somado pode ser suficiente para arrebatar o título deste pobre e porco campeonato português. Mas joga-se tão mal que não volto a trocar um belo fim de tarde de Sol de um Domingo numa esplanada para ver mais um jogo de treta!

Órfãos de Moutinho

Há duas épocas atrás o FC Porto ficou sem Radamel Falcao, para muitos o melhor ponta-de-lança da atualidade.
Primeiro com Kleber, a seguir com Hulk adaptado na posição de avançado centro e depois com Janko, o FC Porto sobreviveu e foi campeão nacional.

A época passada já ia na 3ª jornada quando o FC Porto ficou sem Hulk, para muitos o maior desequilibrador que jogava no campeonato português.
James ocupou a posição que era de Hulk, a equipa passou a atacar de forma diferente, o FC Porto sobreviveu, chegou aos oitavos da Liga dos Campeões e foi campeão nacional.

Málaga x FC Porto (fonte: O JOGO, 14-03-2013)

Esta época o FC Porto ficou sem Moutinho e a equipa, quer a atacar, quer a defender, parece que ainda esta órfã daquele que em Alvalade já era um jogador a Porto e que em boa hora veio para o Dragão, acusado de ser uma maçã podre.

De facto, e apesar do extenso lote de médios que tem a sua disposição - Fernando, Defour, Herrera, Lucho, Carlos Eduardo, Josué -, Paulo Fonseca ainda não conseguiu formar um meio-campo onde, jogo após jogo, se deixe de notar tanto que falta João Moutinho...

Será que Moutinho é mais insubstituível do que Falcao ou Hulk?

sábado, 5 de outubro de 2013

O nosso treinador estuda os adversários?

É uma pergunta legitima tendo em conta o desnorte táctico com que muitas vezes a equipa do FC Porto se encontra. Uma realidade nova para muitos adeptos azuis-e-brancos, habituados a uma análise metódica que começou (em tempos recentes) com André Villas-Boas e prosseguiu com Vitor Pereira.

Paulo Fonseca tem demonstrado poucas virtudes (as sufragadas pelos resultados, enganosos a meu ver pelo abismo competitivo que separa o FC Porto de todos os seus rivais até agora...salvo o Atlético) e alguns defeitos. A maior parte deles podem-se corrigir com os anos, é o processo evolutivo de um treinador jovem. Ele não tem culpa que a SAD do FC Porto procure técnicos sem curriculum a homens experimentados. Quem sonha com Pellegrinis e acaba com Fonsecas às vezes tem o que merece.

Um dos defeitos que tenho observado em PF é a falta de estudo aprofundado do rival.
O FK Austria - uma equipa outrora gloriosa e há largos anos de terceira linha europeia, digam o que disserem do empate em São Petersburgo - jogou como quis contra o FCP. Deixou a iniciativa aos dragões, explorou perfeitamente todos os problemas tácticos do 4-2-3-1 e a falta de garra e sagacidade na marcação do homem da bola por parte dos médios e defesas da equipa portista. Causou mais perigo do que seria suposto entre duas equipas tão diferentes. Ao contrário, foram poucas as ocasiões que deu para perceber que nós sabíamos quais os seus pontos fracos. O golo de Lucho, numa jogada de livro, rompeu uma noite muito cinzenta. Não foi a única. Contra o Vitória de Guimarães (quem, por certo, o nosso treinador deve ter achado que ia jogar da mesma forma, infantil, que na Supertaça) ou o Vitória de Setúbal, tivemos sempre problemas em controlar o adversário e dificuldades em impor o nosso modelo. Faltavam jogadas de laboratório, momentos do jogo em que, ou a equipa convidava o rival a subir para explorar os espaços deixados atrás ou, pura e simplesmente, mudava de modelo para asfixiar o autocarro colocado à frente da baliza. Não se viu nem uma nem outra coisa.

Mas o que me tira verdadeiramente do sério quanto a esta incapacidade de saber ler o jogo e estudar o rival até ao mais pequeno detalhe ocorreu no final do jogo contra o Atlético de Madrid. A equipa espanhola marcou um golo num livre muito bem planeado e estudado pelos seus jogadores.
Poderia ser uma coincidência, um fruto do acaso que esse livre tenha sucedido no Dragão. Mas não foi. Não só porque Diego Simeone é conhecido, desde que começou a sua carreira como treinador, pelos seus lances de bola parada estudados ao mais mínimo detalhe entre livres e cantos, como esse mesmo remate tinha sido posto em prática no passado. Não uma, não duas, mas três vezes.

Poucas jornadas antes, com o Almeria, num lance bastante parecido, Tiago marcou o terceiro golo dos espanhóis. Um livre ensaiado, que explora a presença de um jogador sem marcação no meio da terra de ninguém, livre para rematar. PF viu esse lance? Não me parece!



Os jornais e sites foram rápidos a lembrar outro golo, mítico, este com Diego Simeone como jogador. Nos Oitavos-de-Final do Mundial de França, em 1998, "El Chollo" esteve envolvido na concepção do golo que permitiu à Argentina marcar contra a Inglaterra. Os "ches" acabaram por vencer o encontro em penalties mas este é um lance que fica para a história. Seguramente que, como amante do futebol que é, PF se deve lembrar disso.

Mas se não fosse pouco, a equipa de Simeone marcou um terceiro golo calcado ao que foi apontado no Dragão. Aconteceu no fim da primeira época de Simeone com o clube, em Mallorca, numa derrota dos colchoneros na ilha balear. Gabi, como no Dragão, enganou toda a gente e Adrián (e não Arda) disparou para as redes, com Falcao a desviar a bola. O árbitro acabou por marcar penalty mas o precedente estava estabelecido. O video está online, qualquer um o pode ver. Não é nem o primeiro nem o segundo caso. E depois da falta inútil e perigosa de Mangala não devia haver um só jogador do plantel do FCP que não estivesse avisado para a possibilidade de um coelho sacado da cartola directamente do livro de ideias originais do treinador argentino. O que se viu em campo?
PS: Peço desculpa pela má qualidade, mas fica a ideia!

Um desnorte total e absoluto dos jogadores, um golo a consumar uma reviravolta que parecia impossível na primeira meia-hora e a prova de que Paulo Fonseca tem muito trabalho pela frente como treinador principal.

Começar a estudar a fundo os seus rivais, saber alterar os destinos do jogo desde o banco e saber antever estes pequenos detalhes que na alta roda fazem toda a diferença são passos fundamentais para que, no futuro mais imediato, se transforme num treinador que valha a pena seguir e não apenas no homem que levou o Paços de Ferreira ao melhor posto da sua história.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Do FC Porto para o Sporting e vice-versa

(fonte: Record)

Na sequência da contratação de Moreto Cassamá e Idrisa Sambú pelo FC Porto, dois jovens de 15 anos da formação do Sporting e que são representados por Catió Baldé (o mesmo agente de Bruma), o Record entendeu publicar uma infografia com duas listas: uma com os jogadores que saíram do Sporting para o FC Porto e outra, com idêntico número de jogadores (11), que fizeram o caminho inverso.

Estas listas têm várias curiosidades.
Por exemplo, as transferências de João Moutinho e de Nuno André Coelho, as quais fizeram parte do mesmo negócio.
Ora, se assim é, por que razão o Record classifica a transferência de Moutinho como um negócio polémico e a de Nuno André Coelho como pacífico?

E em quê é que a saída de Gomes para o Sporting foi um negócio polémico?
Já passaram quase 25 anos mas, se bem me lembro, foi o FC Porto que não quis renovar com o bi-bota, na sequência do episódio com Octávio Machado na Madeira (vejam a diferença com o caso Cardozo).

Já agora, quem são o Alhandra e o R. Tavares?
Pelos vistos, vieram para o FC Porto em negócios polémicos e eu nem sequer os conheço…

Pelo rigor dos factos

Autor: João Saraiva


A gente ouve pela 1.ª vez e pensa que é só dessa vez - que foi um mero engano.

A gente ouve pela 2.ª vez e começa a estranhar.

A gente ouve pela milésima vez e há que dizer basta!

O golo do Kelvin não foi ao minuto 92! Repito: NÃO foi ao minuto 92.

Eu sei que já se fizeram cânticos, o Presidente já o repetiu n vezes - acabo de ouvi-lo mais uma vez, toda a gente o repete. Mas Goebbels já se foi e era uma besta.

Um momento daqueles tem que ficar registado na história com rigor.

O golo do Kelvin foi ao minuto 91.

Quando a bola entra na baliza o relógio marca 90:57.


Portanto o golo é marcado no minuto 91! Repito: Minuto 91.

Chamem-lhe preciosismo, mas não quero saber. Eu chamo-lhe rigor dos factos.

O minuto Kelvin é o minuto 91.
O minuto Kelvin é o minuto 91.
O minuto Kelvin é o minuto 91.
O minuto Kelvin é o minuto 91.
O minuto Kelvin é o minuto 91.
O minuto Kelvin é o minuto 91.
O minuto Kelvin é o minuto 91.
O minuto Kelvin é o minuto 91.
O minuto Kelvin é o minuto 91.
O minuto Kelvin é o minuto 91.
O minuto Kelvin é o minuto 91.


ps: Isto considerando a "norma" de que o minuto 90 corresponde ao minuto 45 da 2.ª parte, que por consequência o 91' corresponde ao 1.º minuto de descontos da 2.ª parte, o 92' ao 2.º minuto de descontos, e por aí fora.
Se fossem considerados os 1m 58s de descontos da 1.ª parte, o golo seria então aos 92:55 de tempo corrido e portanto ao minuto 93 de jogo. Ou seja, por aqui também estava incorrecto dizer minuto 92. Mas não é de todo esta a "norma".

ps2: já agora, no jogo seguinte o adversário sofreu o golo aos 92:13, portanto no minuto 93. Pelo que o trauma do minuto 92 é mais um mito criado.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Juventude a mais?

Vejo frequentemente portistas falar sobranceiramente de adversários (e outras equipas) nas competições europeias... a famosa história do palmarés: «Shakhtar Donetsk? Zenit? A. Madrid? Leverkusen? Mas quem são eles comparados connosco, que fomos campeões europeus duas vezes e temos muito mais presenças na LC do que essas equipas? Pfff....».

Bem, peço desculpa a quem enfiar a carapuça mas isso para mim é conversa de lampião, i.e. virada para o passado em vez do presente: o palmarés não ganha jogos, mas sim a valia da equipa no momento. Caso contrário o Nottingham Forest (bi-campeão europeu) seria automaticamente favorito numa eliminatória contra um B. Dortmund, e favoritíssimo contra um S. Donetsk ou A. Madrid.

Ah, mas então e a «experiência» acumulada na Europa? Sim, isso conta, mas a experiência que mais interessa - e de muitissímo longe - é a experiência dos jogadores, não a do clube. Só a alguma distância é que vem a experiência do treinador, e ainda mais longe a dos dirigentes.

Ora o que constato é que a experiência dos jogadores do FCP neste momento é muito limitada: a média não deve andar muito acima de meia dúzia de jogos na LC, e não deve ser em nada superior à de um A. Madrid ou Shatkhar Donetsk (quanto à comparação entre a experiência europeia dos treinadores, acho que não preciso de dizer nada...).

Mais: para além da experiência na LC, há a questão da experiência num sentido mais alargado, i.e. maturidade e anos a jogar em alta competição. Por outras palavras, a idade (grosso modo).

Ora temos uma equipa extremamente jovem, tendo os 13 jogadores de campo utilizados contra o A. Madrid uma idade média de 24,5 anos (e se acrescentarmos Hélton a média pouco sobe, para os 25,1). Há 5 anos atrás anos fiz uma pesquisa e escrevi aqui um artigo sobre esse tema, que - por ser intemporal e relevante para o que se segue - aconselho a ler primeiro antes de continuar a ler este artigo:


Como se pode constatar, a nossa média não só anda muito longe da idade ideal (27 a 29 anos) como também anda longe da média de anos recentes (não tive tempo de fazer a análise para os últimos 4 anos, mas estou certo que tem andado acima dos 25 anos, tal como andou na «era» Jesualdo).

Relembro que a equipa-tipo do FCP campeão europeu de 2004 tinha uma idade média de 28 anos, enquanto a do FCP que perdeu em casa com o Artmedia tinha exactamente a mesma que a equipa que perdeu esta semana com o A. Madrid... Coincidências? Não me parece.

Parece-me portanto que se tem vindo a exagerar na contratação de jovens muito «verdinhos». Sem dúvida que tendo menos argumentos financeiros do que a concorrência europeia para comprar e segurar valores seguros (muito embora o FCP até seja a 13a equipa na Europa que mais dinheiro gastou em passes do plantel actual... nos passes gastamos como os ricos, ainda que nem tanto nos salários) fará sentido que a média no FCP esteja abaixo da média ideal. Mas caramba, nem 8 nem 80... 

Aliás, ainda muito recentemente gastamos perto de 30M em 3 jogadores muito jovens e «para o futuro» que para já não jogam (ou muito pouco), nomeadamente Reyes, Herrera e Quintero.

Parece-me franco exagero, um enorme custo de oportunidade para não falar na juventude extrema do plantel. Pensar no futuro é muito bonito, mas o presente ainda o é mais!

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Reações na bluegosfera à derrota na LC


Como seria de esperar, as reações na bluegosfera à derrota caseira de ontem frente ao Atlético Madrid foram, na maior parte dos casos, de desagrado, desilusão e, em muitos casos, de apreensão em relação ao futuro próximo da equipa portista.

Nesse sentido, após uma vista de olhos por diversos blogues portistas, selecionei partes de alguns artigos/comentários sobre o jogo as quais, na minha opinião, tocam em aspetos pertinentes do atual momento da equipa azul-e-branca.


«Havia poucas ideias mas acima de tudo uma desorganização dolorosa de ver, com médios a sobreporem-se uns aos outros, extremos que não o são a tentarem fazer o que não conseguem através de zonas que não dominam. Os passes simples que falhamos em todos os jogos são ainda mais notados quando há pouco espaço e quando a equipa parece desmoronar com o mínimo de pressão contrária, o que resultou num jogo em que Helton esteve muitos mais minutos com a bola nos pés do que qualquer dos avançados da sua própria equipa. (…) A equipa está em desconstrução, com uma mudança de filosofia depois de três anos a jogar fundamentalmente da mesma forma, com níveis diferentes de velocidade entre Villas-Boas e Vitor Pereira. Paulo Fonseca pode estar a tentar mudar a equipa, mas não o conseguirá a curto-prazo e o FC Porto não consegue aguentar este tipo de mutações tão radicais, sem extremos na linha e com dois médios defensivos que ainda não perceberam onde e como jogar.»


«Neste jogo ficou evidente a menor atenção que esta época o FC Porto deu ao reforço das alas (algo a que todo o adepto mais atento cedo chamou à atenção). Josué e Licá são bons jogadores mas não têm pedigree para a Champions.»


«Paulo Fonseca está a mostrar, algo surpreendentemente para mim, uma assustadora falta de ambição que apenas encontro nos treinadores “tugas” da velha guarda. Aquele tipo de treinador que prefere um empate contra uma boa equipa como mal menor, do que arriscar para ser feliz. Aquele “mister” que põe um Iturbe a dois minutos do fim. Ou um Ghilas no último minuto em desespero de causa. Um Manuel José ou Jaime Pacheco dos tempos modernos. E isso deixa-me muito apreensivo.»


«O FCP não é o Paços de Ferreira. É preciso estudar o adversário, conhecer-lhe as manhas e ser inteligente na gestão emocional do jogo. E, quando necessário, ser rápido e acutilante a mexer na equipa. Quintero não vai resolver sempre. E se o Paços de Ferreira da época passada tinha o efeito surpresa do seu lado, o FCP não o tem.


«Alguém diz ao treinador do Porto que a 2ª parte que ele viu não é mesma que TODOS vimos: uma miserável 2ª parte, sem dois passes certos seguidos ... Perdas constantes de bola... Falta de ideias e faz entrar um avançado aos 90 minutos?! Outra vez? Brincamos!? E aquele 2º golo (apesar de...) nem nos iniciados...»


«Se os jogos tivessem 25 minutos, teríamos boas hipóteses de ganhar a CL. Infelizmente não têm e temo o pior. O que me impressionou mais neste jogo foi o facto do AM ter ganho sem esforço de maior. A segunda parte foi de domínio total do AM: impôs o ritmo, com pressão alta na primeira fase de construção do FCP, ocasionando muitos erros na nossa saída para o ataque e recuperava com grande facilidade fechando os espaços, nas poucas vezes que conseguimos chegar um pouco mais à frente. O AM sofreu alguns pequenos incómodos, na execução das bolas paradas. Uma derrota em que se percebeu que a nossa equipa está mal física e animicamente, e está a perder a confiança em cada jogo que passa. (…) Não percebo e acho que a falta de Moutinho (Herrera serve para reforçar a equipa B?) não explica tudo.»



Apontamento final: Não sei se havia algum estado de graça de Paulo Fonseca entre a generalidade dos adeptos portistas mas, se algum dia existiu, parece-me evidente que terminou ontem. Contudo, e para que fique claro, a não ser que os resultados piorem bastante e se tornem calamitosos (para aquilo que é o padrão habitual do FC Porto), ou que o divórcio entre treinador e jogadores seja evidente, sou completamente contra mudanças de treinadores a meio da época.

Nota: Os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

As infantilidades pagam-se caras amigos!

Na Europa os erros pagam-se caro. O FC Porto foi melhor durante 90 minutos mas isso não chega. As faltas sem sentido de Josué e Mangala permitiram ao Atlético vencer um jogo que os dragões tinham controlado desde o principio. Dois livres, dois lances estudados, anularam o grande trabalho colectivo dos azuis. Uma derrota amarga no Dragão, injusta por critérios futebolísticos mas natural entre uma equipa que sabe a que joga (e mesmo quando não joga, sabe como dar a volta à situação) e uma equipa verde, mentalmente, capaz de deitar por terra o excelente trabalho conseguido.

O Atlético não venceu por ser melhor. Venceu por ser mais inteligente. Venceu por saber resolver os seus problemas com engenho. Por estudar cada jogo com detalhe cirúrgico. E porque entre os erros infantis de Mangala e Josué e a eterna incapacidade de transformar a posse e as oportunidades em golos, condenou o FC Porto a ter de somar um duplo resultado positivo com o Zenit para seguir em frente. A liderança do grupo está praticamente fora de questão.

A primeira parte do jogo lembrou a excelente exibição dos dragões contra o Málaga, no ano passado.
Uma equipa confiante, autoritária, dominadora e desejosa de impor o seu modelo de jogo sob o rival. Foi o melhor FCP da era Fonseca, de longe. A equipa movia-se bem, era capaz de trocar a bola com segurança e dominava claramente os destinos do encontro. Simeone surpreendeu pela negativa, com uma equipa ainda mais defensiva do que se esperava, com Koke - o melhor jogador da equipa no último mês e meio, a par de Diego Costa, ausente por suspensão - no banco. No seu lugar jogou Leo Baptistão, uma jovem promessa brasileira, que passou totalmente ao lado do jogo. O Atleti foi mais defensivo e especulativo do que se podia esperar, sobretudo porque rapidamente os azuis e brancos os encostaram ás cordas e raramente os deixaram aproximar-se da baliza de Helton, um espectador durante quase todo o jogo.

Com Arda e Baptistão fora de jogo, Villa esteve demasiado só para criar perigo e Defour e Fernando entenderam-se perfeitamente com Alex Sandro e Danilo (excelente jogo) para apertar as linhas dos colchoneros para bem dentro da sua área. Aí começavam as combinações com Varela, Josué e Lucho. Entre eles cozinharam-se os problemas dos espanhóis mas, tal como tinha sucedido contra o Málaga, o domínio da posse de bola e a melhor qualidade de jogo não se traduziu em oportunidades de golo. O tento de Jackson Martinez - que continua a marcar, a marcar e a marcar - surgiu num lance pouco habitual, um livre bem estudado que apanhou desprevenida a defesa rival. Era um golo mais do que justo e que premiava uma excelente exibição colectiva.

O segundo tempo começou com outra dinâmica. E apareceram os erros que custaram a vitória.
Simeone abdicou do seu único avançado e lançou o Cebolla Rodriguez para povoar ainda mais o meio-campo. Com esse sopro de ar fresco o Atlético conseguiu, por minutos, o controlo do jogo e soltou-se da pressão de um FC Porto que entrou meio a dormir. Nesses dez minutos a equipa espanhola aplicou aos homens de Fonseca o mesmo remédio, empurrou-os para a área e começou a criar perigo.
Num lance igualmente estudado, como se esperava aliás, empatou o jogo. Josué cometeu uma falta infantil (e livrou-se do segundo amarelo) e Godin desviou o centro para as redes de um Helton que tinha salvado duas ocasiões saindo da área mas que, desta vez, não foi ajudado pelos centrais que deixaram o uruguaio cabecear. Era um golo que premiava o esforço dos espanhóis nesses escassos minutos mas injusto no computo global do encontro onde o FCP continuava a ser claramente a melhor equipa. Demonstrou-o reagindo muito bem. Voltou a tomar conta da bola, do ritmo de jogo e empurrou os espanhóis para trás, conseguindo algumas combinações interessantes, ainda que, como sempre, inconsequentes. A saída de Lucho - quando saiu o jogo perdeu-se - permitiu a entrada de Quintero que, com Licá, também ele lançado para o lugar de Josué (o mais apagado talvez), outro sopro de ar fresco. Mas as oportunidades escasseavam e era o Atlético - cada vez mais duro nas entradas (Juanfran podia ter sido perfeitamente expulso) quem era capaz de criar os lances de maior perigo em contra-ataques rápidos. E foi num desses lances que surgiu o segundo erro infantil.
Uma falta de Mangala numa zona proibida, e um posicionamento defensivo do livre que ignora por completamente a cartilha de Diego Simeone, um treinador que procura sempre a originalidade. Gabi enganou toda a gente, isolou Arda à frente de Helton e o turco disparou o tiro de morte. Com ele caiu o Dragão, por culpa própria!

O empate do Zenit em casa com o FK Austria foi a melhor noticia possível num dia histórico, pela negativa. É com os russos que se vai decidir o apuramento, algo que já se suspeitava nas últimas semanas. Ninguém pensaria que, jogando como jogou, o FC Porto fosse perder em casa um encontro controlado. É um aviso sério para os jogos em São Petersburgo e Madrid. E sobretudo, para a visita do Zenit, o jogo do tudo ou nada. Nos últimos anos, com qualquer treinador, o estádio do Dragão tinha sido um forte. Foi assim com Vitor Pereira contra os milhões do PSG, Málaga, Zenit e Shaktar. Foi assim com Jesualdo Ferreira na esmagadora maioria dos seus anos (para não falar na etapa AVB, numa competição menor). Esta derrota doi, emocionalmente, mas, lamentavelmente, não surpreende. Pelos motivos contrários, é certo. Mas não surpreende. Infantilidades como as de hoje repetidas podem ser fatais. Injustas, mas determinantes.

PS: Hoje estavam 34 mil adeptos no Dragão. Era o segundo jogo mais importante do ano em casa, depois do duelo com o Benfica. Lembro-me quando nos jogos da Champions não se baixavam dos 40 mil. Há a crise, é certo, mas também há um desencanto com esta equipa. A exibição de hoje podia dar um balão de oxigénio ao crédito de Paulo Fonseca porque, apesar do resultado, não se jogou tão mal. Mas os erros dos jogadores e a falta de capacidade do banco em mudar a situação não auguram um mês fácil. 

Atlético Madrid favorito no Dragão?

No dia 29 de Agosto, após o sorteio da fase de grupos, publiquei um artigo onde escrevi o seguinte:

«Atenção a este Atlético Madrid de Simeone que, mesmo sem Falcao (mas com David Villa), é uma equipa muito mais sólida do que das últimas vezes que os defrontamos. Aliás, não deve ter sido por acaso, que em dois jogos recentes para a Supertaça de Espanha e tendo por oponente o super Barça, se registaram dois empates e com poucos golos (1-1 em Madrid e 0-0 em Barcelona).»

Depois disto passou cerca de um mês e, para além dos dois empates referidos contra o também ainda invencível (nesta época) FC Barcelona, o Atlético iniciou a Liga dos Campeões com uma vitória sem espinhas no 1º jogo da fase de grupos (3-1 na recepção ao Zenit). Mas, o que mais me impressiona é a forma autoritária como o Atlético Madrid tem superado todos os adversários que lhe aparecem pela frente no campeonato espanhol.

Jogos do At. Madrid no campeonato espanhol 2013/14 (fonte: zerozero)

7 jogos, 7 vitórias, incluindo deslocações aos difíceis campos do Sevilha, da Real Sociedad (uma das quatro equipas espanholas na Liga dos Campeões 2013/14) e do Real Madrid!

Quem, como eu, viu o último jogo do Atlético Madrid, pôde assistir à forma como uma equipa de operários talentosos, superiormente orientada por Diego Simeone, destroçou a equipa mais cara do Mundo, a qual é formada por uma constelação de “estrelas”.
Sim, há três dias atrás, o Atlético ganhou no Santiago Bernabéu por “apenas” 1-0, mas se tivesse concretizado metade das oportunidades flagrantes que criou, teriam sido 3 ou 4 golos.


O que se pode dizer nesta altura é que as exibições e os resultados dos 10 jogos oficiais que o Atlético Madrid já disputou esta época (contra oponentes “fraquinhos” como o FC Barcelona, Sevilha, Real Sociedad, Zenit S. Petersburgo, Real Madrid...), são elucidativos da capacidade desta equipa.

Daí que eu não fique surpreendido por, no jogo de logo à noite, a Betclic pagar mais a quem apostar na vitória dos dragões, do que a quem apostar na vitória dos colchoneros.


Veremos o que irá acontecer (para o FC Porto é muito bom que o Diego Costa esteja a cumprir o 2º jogo de castigo e não possa jogar) mas, nas circunstâncias atuais, e apesar do jogo ser no Estádio do Dragão, eu encaro um empate como um resultado aceitável.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Falta!

Na semana passada, após as primeiras cinco jornadas do campeonato, o Record publicou uma infografia com uma tabela das faltas cometidas e sofridas por cada uma das equipas.

Olhando para esta tabela, havia algumas curiosidades. Por exemplo, os “três grandes” estavam entre as equipas que cometiam mais faltas (15,8 a 16,6 faltas por jogo).

Mas mais interessante é analisar as faltas sofridas.
Só havia uma equipa com menos faltas sofridas que o FC Porto (o Vitória Setúbal).

Ora, sendo o FC Porto uma equipa de ataque e com elevadas percentagens de posse de bola, não é estranho que os árbitros assinalem tão poucas faltas a favor da equipa portista?

domingo, 29 de setembro de 2013

Museu Futebol Clube do Porto



Estas fotos foram por mim seleccionadas de entre as dezenas existentes no 'Fotos da Curva', onde pode ser visualizada uma extensa reportagem fotográfica da inauguração do Museu do Futebol Clube do Porto.

Outras galerias de fotos da inauguração do Museu do FC Porto:

Conforme foi divulgado, há partes do museu que ainda não estão concluídas e a abertura ao publico será apenas no dia 26 de Outubro.

Trajecto dentro do museu (fonte: infografia JN)

As noites europeias do Miguel

sábado, 28 de setembro de 2013

25 minutos à Porto

Jackson cercado por jogadores do V. Guimarães

Cerca de 25 minutos, foi quanto durou a equipa do FC Porto a um bom nível no jogo de ontem. Depois a intensidade portista foi baixando, os passes magistrais de Quintero foram escasseando e o Vitoria Guimarães, sem nunca ter dominado, passou a controlar o jogo nos moldes e ritmo que pretendia.

Quando a equipa saiu para o intervalo, os sinais de que algo não estava a correr bem já eram evidentes, mas Paulo Fonseca regressou do balneário com o mesmo onze.
Contra equipas muito fechadas (e o V. Guimarães estava a jogar muito recuado, apenas com o ponta-de-lança adiantado), não seria de experimentar uma dupla de avançados, colocando o possante Ghilas ao lado de Jackson?

Ao contrario do que seria de esperar, o FC Porto não entrou na 2ª parte com a mesma intensidade com que tinha entrado na 1ª parte. Estavam cansados?
E mesmo depois do golo (na sequência de um penalty caído do céu), não se viram melhorias. A equipa vimaranense, sem nada a perder, subiu no terreno e pressionou a equipa portista, que se revelou completamente incapaz de aproveitar os espaços que surgiram nas costas dos defesas que ontem jogaram de preto (estranhamente, quem jogou de branco foi o FC Porto...).

FC Porto x V. Guimarães, onze inicial

Oportunidades de golo do FC Porto na 2ª parte?
Com boa vontade, lembro-me de um remate cruzado de Josué, de fora da área.
Nem oportunidades, nem posse de bola a controlar o jogo longe da baliza do Helton. Na 2ª parte, não houve uma jogada com principio, meio e fim digna desse nome. Alias, eu sou capaz de arriscar em dizer que não houve uma jogada com mais de cinco passes seguidos.
Foi tudo muito fraco (as substituições pioraram o desempenho da equipa) e, nos últimos minutos, ainda tivemos de sofrer a pressão do V. Guimarães, que conquistou vários cantos e livres perto da área.

No computo geral, foi uma exibição sofrível, com uma 2ª parte fraquissima, mas ouvindo as declarações de Paulo Fonseca no final do jogo, o treinador do FC Porto parece estar satisfeito.