E eis o regresso ao 4-3-3. Na pior altura possível, naquele relvado miserável.
Convém dar uma vista de olhos antes da partida, Paulo...
Mas esta é apenas mais uma de um treinador muito lento na sua acção. Sem qualquer jogo de cintura e que se nega a queimar etapas. Prefere, ao invés, juntar erros aos erros.
Demorou até ao mês de Novembro para perceber que o melhor seria regressar ao 4-3-3. Uma eternidade em futebol.
Porém, dadas as péssimas condições oferecidas pelos corredores laterais do "areal" do Restelo, mais valia ter esperado uns 4 dias mais. Quem esperou desde Agosto, bem podia esperar mais um pouco.
Mas o primeiro grande erro desta actual temporada está precisamente aí: foi criminoso não contratar um extremo que servisse o potencial enorme de Jackson Martinez. Já haviam muitos no plantel?
Não, não havia. Falo de extremos a sério. Falo de Drulovics, falo de Quaresmas. Este nosso actual "Jardel" não tem sorte nenhuma nos jogadores que actuam a seu lado. Tanto desperdício de talento...
Depois há a velha questão daquele pobre meio-campo. Questão que se arrasta há anos, para falar verdade.
Lucho, que normalmente "dá o berro" a seguir ao Natal, pelos sinais mais recentes e pelo avançar natural da idade, é bem capaz de ficar sem pernas ainda mais cedo nesta época.
Herrera, sendo ligeiramente melhor que o inofensivo Defour, parece ser mais um médio com potencialidades insuficientes para aquilo que é exigido a um jogador do FCP. Ou então, ainda anda a adaptar-se e está a fazê-lo, por exemplo, em plena...Champions League.
Qualquer que seja a verdadeira razão, ambas são críticas para um clube como o nosso.
Josué e Licá, são jovens com potencial e tiveram o azar de chegar numa altura que andamos sem rumo.
Seriam jogadores para serem integrados passo-a-passo. Infelizmente, devido à nossa actual falta de qualidade, estão já com grande responsabilidade nos ombros.
Na defesa, temos o (mau) velho Otamendi de volta. O Otamendi de há duas temporadas atrás.
O central que pode deitar tudo a perder, a qualquer momento, nas partidas mais complicadas.
A este, junta-se agora um Mangala que parece pior do que há um ano atrás. O interesse dos "tubarões" e aquela "famosa" reportagem da televisão francesa, em nada terão ajudado.
E, assim, hei-nos chegados a este nosso triste ponto actual. Onde o Futebol, com maiúscula, partiu para parte incerta.
A ideia de terminar o ciclo-Vítor Pereira estava correcta.
A sua concretização, na prática, é que deu para o torto.
Fonseca não é melhor que VP em nenhum aspecto do jogo. Perde até, e de goleada, em certos factores onde o nosso anterior técnico estava longe de ser um "expert". As substituições são o exemplo mais clamoroso.
Chega mesmo a ser ridículo, o tempo e o modo que o nosso treinador encontra para as fazer.
Fonseca, com apenas um simples ano como técnico de primeira liga, foi uma aposta meramente de casino. Um tudo ou nada que não pode ser comparado a outras apostas recentes, também elas de risco, mas em que havia já uma "escola" como garantia mínima. Fosse ela a escola-Mourinho (no caso de Villas-Boas) ou a escola-FCP (no caso de V.Pereira). Ambas escolas merecedoras de crédito.
Ora, Paulo Fonseca não tem nem uma coisa, nem outra. Tem apenas um vago (e inconsequente?) terceiro lugar para mostrar.
E, quando se aposta num casino, já se sabe: é muito perigoso continuar a jogar quando se começa a perder...